Novos critérios para combinações de ações

Escrito em 10/03/2017, por Engª Micheli M. Mohr Koerich Categoria: Melhorias em recursos Tags: ,

Foi implementada no programa a possibilidade de definição de novos critérios para a geração automática de combinações, dando maior liberdade na obtenção da quantidade de combinações adotadas no projeto.

A NBR 6118:2014 preconiza no item 11.8.2.1 que “Em cada combinação devem estar incluídas as ações permanentes e a ação variável principal, com seus valores característicos e as demais ações variáveis, consideradas secundárias, com seus valores reduzidos de combinação”. Em outras palavras, as combinações consideradas no projeto devem seguir a seguinte equação, disponível na tabela 11.3 do item 11.8.2.4 da norma:

equacao da norma

Figura 1 – Equação das combinações últimas (ELU)

O Eberick baseia-se nesta formulação para a obtenção das combinações últimas de cálculo, sendo consideradas todas as combinações possíveis para as ações aplicadas no projeto.

Com a implementação do novo recurso para definição de geração de combinações, o usuário poderá escolher os critérios que serão adotados na geração destas combinações, sendo possível, por exemplo, desconsiderar as combinações com efeitos favoráveis das ações permanentes. Dessa forma,  tem-se uma redução na quantidade de combinações geradas para o projeto, o que tende a reduzir o tempo de processamento da estrutura e dimensionamento dos elementos.

As configurações criadas para a definição da geração de combinações estão localizadas no menu “Ações”, dentro da aba “Combinações”:

configuracoes das combinacoes

Figura 2 – Novos critérios para geração automática das combinações consideradas no projeto

Em linhas gerais, a partir das novas configurações disponíveis, será possível:

1- Determinar se determinada ação será considerada na geração das combinações;

2- Considerar ou não o efeito favorável da ação e

3- Definir se serão geradas as combinações em que a ação acidental em questão será considerada como isolada das demais cargas acidentais, o que permitirá reduzir a quantidade de combinações geradas, caso as ações estejam desmarcadas.

Adicionalmente, ao optar pela geração automática das combinações pelo programa, será possível ainda:

4- Determinar se serão geradas as combinações em que as ações permanentes não simultâneas não forem combinadas com as demais ações, possibilitando reduzir a quantidade de combinações, caso a opção 4 esteja marcada;

5- Definir se serão geradas combinações de ações permanentes (que atuarem com efeito favorável) combinadas entre si com coeficiente de ponderação reduzido, ou se serão geradas combinações com apenas uma ação considerada como favorável, que é a situação em que o item 5 estiver desmarcado. Neste caso será possível diminuir consideravelmente a quantidade de combinações geradas pelo programa;

6- Realizar a análise combinatória de todas as ações acidentais combinadas entre si, além de gerar combinações isoladas com todas as cargas acidentais, ou gerar apenas as combinações com todas as ações acidentais atuando simultaneamente, adicionando a consideração da ação isolada apenas das opções que estiverem com a coluna “Acidental isolada” marcada. Esta situação ocorrerá quando a opção 6 estiver desmarcada, o que permitirá reduzir a quantidade de combinações geradas para o projeto. É importante acrescentar que caso esta opção esteja desmarcada a coluna “Acidental isolada” ficará inativa, uma vez que inviabiliza a função da mesma;

7- Considerar ou não a redução de Ψ2 para as ações variáveis nas combinações de verificação de incêndio. Esta opção já existia no programa e seu funcionamento permanece conforme versões anteriores.

Destacamos que os novos critérios disponíveis valem tanto para as combinações últimas quanto para as combinações de serviço (ELS), aplicadas para as verificações de flechas. Resumidamente, o comportamento das versões anteriores do programa considerava sempre todas as combinações possíveis, o que significa estar com os itens 1, 2 e 3 da figura acima marcados e desmarcar os itens 4, 5 e 6.

Os novos recursos objetivam primordialmente a possibilidade de otimizar o tempo de processamento da estrutura, uma vez que a quantidade de combinações geradas interfere diretamente neste tempo. Assim, uma das aplicações que podemos destacar é em relação à possibilidade de definir um número menor de combinações nas etapas iniciais do projeto, por exemplo, em que ainda não é necessário realizar uma análise mais completa. Com isso, obtém-se  um aumento considerável de produtividade sem que se comprometa as análises das etapas intermediárias de projeto.

Acrescentamos que qualquer que seja o critério adotado pelo usuário, a alteração das novas opções disponíveis não acarreta em projetos em desacordo com a norma. Com as novas configurações, tem-se apenas a possibilidade de manipular a quantidade de combinações geradas pelo programa, reduzindo-as com o objetivo de reduzir tempo de processamento, ou aumentando-as, de forma a realizar uma análise mais refinada ao final do projeto.


  1. RENATO disse:

    O mais engraçado, o mais curioso, o mais divertido é que … ao “inventaram” essa moda de combinação de cargas, inovação científica de acadêmicos desconectos com o mundo prático do ofício, me parece que se esqueceram de testar na prática … nem computador dá conta de processar essa loucura que antigamente se resolvia majorando as cargas por 1.4, e pronto…

    ?
  2. TADEU disse:

    Isso é o samba do crioulo doido. Nunca consegui entender por que complicaram uma coisa tão simples. É o famoso método alemão. Para que fazer fácil, se complicado também dá certo.

    ?
  3. RENATO disse:

    Olha… nem sei por onde começar …

    Era comum quando iniciei na engenharia, aplicar o mesmo coeficiente de majoração de cargas para tipos de carregamentos distintos … 1.4(PP + SC). Hoje … recomendam fazer algo to tipo… 1.2(PP) + 1.6(SC).

    Dizem por aí (“estudos”) que quando uma estrutura/peça está sujeita a cargas predominantemente acidentais (ou seja, estrututras onde as cargas permanentes representariam uns 25% da carga total aplicada), esta requeriria coeficientes de majoração maiores para acomodar a imprevisibilidade própria da carga acidental.

    Mas repare bem que … em se substituindo os valores de PP e SC por valores típicos reais de uma edificação … verás que o resultado final, nas duas equações, é … na prática corrente do oficio … o mesmo.

    Enfim … complicaram tanto que na prática, tiveram que descomplicar: parabéns a AltoQi por mais essa funcionalidade.

    ?
Os comentários estão fechados.

Dicas de acompanhamento do blog

Escrito em 19/04/2016

Para acompanhar as notícias e publicações no Blog preparamos uma série de opções de navegação no menu lateral que permitem filtrar os tópicos recentes, as publicações de cada categoria, as últimas notícias, entre outras.
Além disso, no rodapé do seu Eberick será apresentado o link de cada novo post publicado.
Você também pode receber de forma automática as novas publicações através das ferramentas de feeds do navegador de internet ou do seu e-mail.

Para receber as novidades por e-mail basta cadastrar os endereços abaixo:

×